Um projeto de educação digital cresce quando deixa de ser apenas uma formação pontual e começa a criar condições para que o conhecimento continue circulando.

Em maio deste ano, voltei à Guiné-Bissau para implementar uma formação em informática ao lado de Bruna Lobo, consultora do PNUD no país. Era a segunda etapa de uma experiência que começou em maio de 2025 e que, desde então, ganhou uma dimensão muito maior.

Grupo de participantes da formação em informática na Guiné-Bissau exibindo seus certificados
Participantes do projeto de letramento digital na Guiné-Bissau.

De 25 participantes a uma rede com 181 pessoas

Na primeira edição, o projeto de letramento — ou literacia — digital durou uma semana e alcançou 25 representantes de organizações da sociedade civil ligadas à defesa dos direitos humanos.

Nesta nova etapa, chegamos a 181 pessoas, organizadas em sete turmas de aprendizagem e uma turma com 14 formadores. O curso integrou uma iniciativa dos projetos +Digit@l e Justisa pa Tudu Djintis, implementados pelo Governo da Guiné-Bissau e pelo PNUD, com financiamento da União Europeia.

Mais do que ensinar programas, queríamos fortalecer a autonomia de profissionais que estão acompanhando a transformação digital do país.

Uma formação para realidades diferentes

Trabalhamos com técnicos do Centro de Acesso à Justiça, colaboradores de ministérios, representantes da sociedade civil, agentes da Polícia Judiciária e integrantes da Guarda Nacional. Cada grupo tinha seu próprio ritmo, suas necessidades e uma relação diferente com a tecnologia.

Isso exigiu uma formação sensível ao contexto. Os objetivos precisavam ser claros, mas os caminhos para alcançá-los não podiam ser rígidos. Escutar as turmas, observar as dificuldades e adaptar as atividades fizeram parte do desenho da experiência.

Formação presencial, continuidade offline

Também passamos dois dias trabalhando com formadores indicados pelas instituições. A proposta era prepará-los para replicar a formação dentro de suas organizações e ampliar o alcance do projeto depois da nossa saída.

Além dos encontros presenciais, todos receberam acesso a uma formação complementar em formato de e-learning por meio da plataforma Kolibri, desenvolvida pela Learning Equality. A ferramenta permite disponibilizar conteúdos educacionais offline em computadores e dispositivos móveis — uma característica essencial em contextos onde o acesso constante à internet não pode ser pressuposto.

O que este projeto me ensinou

Durante 30 dias na Guiné-Bissau, pude acompanhar de perto como uma solução educacional precisa conversar com a infraestrutura, a cultura, o trabalho e as necessidades concretas de quem aprende. Tecnologia, sozinha, não democratiza o conhecimento. É o desenho cuidadoso da experiência — somado à formação de pessoas que possam continuá-la — que transforma acesso em autonomia.

Sou muito grata à Bruna Lobo pela parceria e pela oportunidade de construir este trabalho juntas. Também guardo com carinho as amizades que fizemos em Bissau e a forma calorosa como fomos recebidas.

Projeto realizado no âmbito das iniciativas +Digit@l e Justisa pa Tudu Djintis, implementadas pelo Governo da Guiné-Bissau e pelo PNUD, com financiamento da União Europeia.


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